Why not!

26 10 2008

Aqueces-me meigamente, enquanto a colher gira na chavena quente, com essas palavras e expressões tuas. Fecho os olhos e ao meu lado está aquela mulher selvagem, de olho verde e mente aberta. Gosto de fingir que estás ao meu lado e de imaginar o que dirias naquele momento. Gostaria de viver a teu lado todas as aventuras, saberias tudo o que se passaria na minha mente… Mas é mesmo assim. Por vezes, temos de seguir caminhos diferentes e descobrir como é ser sozinha(o) por momentos, até encontrar alguém que percorra um caminho paralelo ao nosso.

Mas contigo faço por tudo que as nossas estradas se cruzem, em diferentes nós como num cordel.

A minha rotina é diferente, enquanto tu vives pela manhã e tarde. Eu desperto e vivo a tarde e o anoitecer. Encontro o mesmo senhor no comboio que leva os phones nos ouvidos. Surge-me no outro lado da linha do comboio um rapaz que cocheia, e secretamente o meu instinto é prestar-lhe cuidados de saúde. Fico sentada a mirar-lo e ele devolve-me o olhar. Belisco-me e o meu comboio surge.

Um café para te sentir perto de mim, para que não seja só imaginação minha.

Cláudia

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Warmth =)

26 10 2008

Ah, como me sabe bem sair de casa de manhã e atirar-me ao rio do mundo de cabeça!!

Acredita, adoro.

Podem ser 7h da manhã, mas adoro aquele frio cortante, aquelas refeições mal tomadas, a corrida para o autocarro, os phones sempre comigo, o livro sempre na mão…

Muitas caras lindas vejo eu por aí, se vejo.

Trocas de olhares com desconhecidos, risos.

Até já levei um pão de leite por 2/3 do preço porque passava das 17h e os pães de leite entram em promoção a essa hora…

Já me habituei a certas pessoas com as quais criei afinidade desde o inicio.

Muitas lembram-me de amigos oldschool, outras são complestamente novas.

De umas gosto, outras ignoro.

E é mesmo assim.

Sabes, a época das praxes deu-me confiança, mas penso que o facto de toda a gente te sorrir e te elogiar nessa altura é efémero.

Houveram inúmeras situações em que poderia ter optado pelo lado errado do cruzamento, mas fico contente por ter ideais bem definidos.

E ainda bem que quando acaba a asáfama passamos todos a ser pessoas normais e começamos a conhecermo-nos realmente bem.

No meio disto tudo, o que mais gosto é de sair cedo das aulas e vir para casa, lenta e serenamente, à companhia da minha música e do meu livro, saborear a viagem de 30 minutos e esperar encontrar algum amigo enquanto a paisagem corre pela janela do comboio.

As esperanças estavam altas antes da rotina começar, mas estão mais altas agora que já me entreçacei nela, qual dança primordial.

Não sonho com o Sr. Sombrio que meteu conversa por causa do meu livro, nem com aquele que tem tudo o que eu gosto, mas desejo um dia, não daqui a muito tempo, saborear o gosto da envolvência como se de um chocolate de 86% de cacau se tratasse.

Sinto-me livre, determinada e pronta a oferecer um sorriso e uma gargalhada a toda a gente que se mostre receptiva.

Relembro situações estranhas, apredizagens difíceis e amores passados.

Por fim, abro os olhos selvagens e fito com nostalgia dos raios de Sol e parto nesta aventura, para ser completada à primeira, com a saudade do Passado na mala.

Enfim, precisamos de um café, que dizes?

Sara





Cold cold heart

26 10 2008

Estava pronta a dar o primeiro passo, respirei profundamente e rodei a maçaneta que pertencia a uma porta de madeira vidrada. Espreitei pela fechadura e nada vi, encostei o meu ouvido e nenhum som consegui captar. Tinha duas hipóteses: ir à procura do desconhecido ou ficar na escuridão à espera que alguém do outro lado rodasse a maçaneta. Escolhi a primeira opção e durante semanas fiquei anestesiada e deixei de escrever, não de imaginar que escrevia, mas fiquei sem aquela adrenalina de não saber que palavra escrever a seguir.

Contudo, estas semanas foram das melhores de dezoito anos de vida! Uma constante vivência de “desenrascos”, amizades, cantorias, maluqueiras e de algum sofrimento produtivo. Se me questionava ao princípio, que caminho haveria de seguir, agora sinto que estou cada vez mais perto da verdade que buscava incessantemente. Vivo apaixonada pelo meu trilho de caminho, que me cansa e suga toda a essência.

De repente, todas as marias e raparigas medrosas que viviam no meu livro de histórias ganharam coragem e de trouxa ao ombro percorrem e constroem as suas vidas.

Hoje foi assim, um pouco pessoal demais e com algumas, poucas, metáforas.

Todas as manhãs viajo e imagino histórias com aquela pessoa que está sentada à minha frente e tem um lenço verde no pescoço. Ou então tento perceber de onde vem aquele senhor velhinho, será que tem netos, em que período da nossa história viveu, que aventuras terá para contar… Ou será tudo isto, imaginação minha?

Continuarei a ser aquela miudinha pequenina, com mais ou menos os mesmos caracóis, de pele branca e fina com tendência para corar.

Há coisas que nunca morrem, mas que apenas ficam mais esquecidas no nosso quotidiano, como tu…

A vida é feita de acontecimentos esperados em que podemos amortecer a queda. Mas são os aspectos mais inesperados que nos fazem evoluir e mudar de rota. Estes últimos são a base de quem somos, de como reagimos e da nossa soul.

Cláudia